Geni e o Zepelim | Projeto Redigir

Nação determinada
Andréia Pimenta


O Brasil é um país que conforta e mantém diversas etnias e culturas. Talvez por isso ao pensarmos em auto-estima brasileira, questionamos primeiramente as diversidades de valores entre estas culturas como exemplo a de um nordestino que vive no campo e a de um estudante universitário da cidade. Valores como o planejamento de prioridades e a forma com que cada um destes cidadãos desenvolve perspectivas em busca da sobrevivência.

A auto-estima se torna um ponto de partida, pois se faz necessária à valorização e autoconfiança em um país diversificado e desigual do ponto de vista econômico. E é aí que entra a questão da diferença social, pois esta diferença acaba por favorecer apenas um deles e o outro por tendência se acomoda e este conformismo se fortalece com o passar do tempo gerando a parcela mais alta da população brasileira os "indiferentes", perante toda e qualquer manifestação no país se tornam apáticos é esperam de braços cruzados o desenvolvimento do país.

O povo brasileiro possui uma auto-estima oscilante, que é perceptível diante da relação de dependência de opiniões alheias, ou seja, a dependência de um elogio, comentário, reconhecimento ou até mesmo uma crítica internacional para a partir daí acreditar-se em determinada ação ou opinião.

Um exemplo notável desta dependência acontece com a música muitas vezes o artista só é reconhecido no Brasil após repercutir em outros paises, esta relação de dependência é perceptível em todas as áreas deixando claro que muitos brasileiros são inseguros.

O que falta no Brasil para termos uma nação determinada é a força de vontade de cada um para não continuarmos nesta condição de insegurança. Em todo país, é necessário que a população seja confiante para traçar objetivos que gerem momentos propícios para que o caminhar da nação seja constante e para frente com muita confiança e discernimento.




Clique aqui para conferir a última atividade do curso: 6 redações em grupo.



Foi assim: pegamos os primeiros parágrafos de seis livros e distribuímos entre quatro alunos e as duas professoras. Cada um tinha 5 minutos para continuar a história, e depois passar adiante, num círculo. No fim, terminamos com 6 histórias muito divertidas, completamente diferentes dos originais.




Brasil, um país de ninguém
Luiz Fernando de Medeiros


Não suporto a propaganda do governo federal em que o locutor, com voz grave, diz: "Brasil, um país de todos". Onde?
Convenhamos, como eles podem dizer isso se apenas pequena parte da população tem casa própria ou consegue pagar um aluguel mensalmente? Bem, muitos acham que isso é politicagem. Eu também, mas essa expressão nos faz parar e refletir sobre essa situação em que este país está. A violência nas grandes cidades tem crescido de tal maneira que tenho medo até de entrar e permanecer em uma igreja. Sim. Não posso sair nas ruas de ônibus, carro, metrô, trem. A pé, piorou!
Hoje existem pessoas que não têm amor próprio e acabam com a vida às vezes de quem nunca viram. É triste!
Por essas e outras, não considero o Brasil um país meu. Por exemplo, não posso viajar de São Paulo até Curitiba, que fica do lado. Falta-me tempo. Dizem que tempo é dinheiro. Então, falta mesmo.
Às vezes, não tenho um tostão para comprar um chiclete. Vou dormir com vontade de mascar um ping pong de hortelã.
Ah, que saudades da minha meninice, em que tudo parecia ser fácil de se realizar! Onde eu morava, tínhamos paz pelo menos eu sentia. Claro, cabeça de criança, sem preocupações maiores. Lembro-me muito nitidamente de uma música da grande rainha dos baixinhos: "Enquanto a She-ra namorava o esqueleto no jardim". Nunca esqueço do aniversário da minha prima Andréa nas suas sete velinhas cor-de-rosa. Ela usava uma blusinha branca, mini-saia jeans e botas pretas até o joelho imitando a rainha. Isso sem falar que a minha priminha é loira de olhos azuis. Tinha também duas chiquinhas, uma de cada lado do cabelo. E o disco de vinil na vitrola: "Enquanto a she-ra namorava o esqueleto no jardim".
Naquele tempo sim o Brasil era meu. Eu sentia uma felicidade imensa nas festas de aniversário da minha prima-irmã, pois não víamos nada mais importante do que correr pelo quintal limpo, irmos até a pracinha ao lado de casa em nos preocuparmos com seqüestros, tiros de revolver, brigas, pauladas e pedradas.
Hoje, jamais deixaríamos uma criança nos seus sete anos ir a uma padaria mesmo do lado de casa. E por falar em criança: e os meninos de rua? O Brasil é deles? Se é, está sendo roubado! Onde é que eles têm direito a alguma coisa? Só no papel. Tem crianças sem escola. Agradeço a não sei quem por ter pelo menos aprendido a ler e escrever às vezes, para lembrar aos indivíduos que lerem minhas palavras para que possam de alguma maneira tomar conta dessa terra grandiosa. Sim, porque a Amazônia está quase se tornando um território norte-americano. É, os gringos estão de olho gordo. Assim como os primeiros habitantes daqui foram saqueados e muitos mortos, corremos o mesmo risco.
Você viu, mudando um pouco de assunto, a vitória do Palmeiras contra o Corinthans? 4 a 0. sou corintiano, mas não fanático a ponto de morrer por ele. Não assisti ao jogo, mas não fiz vista ao grande prejuízo que isso causou em São Paulo, no Brasil e, por que não, no mundo. Um jovem de 16 anos morreu a pauladas e pontapés em uma das estações do metrô quando se dirigia ao estádio.
Segundo a reportagem, ele era corintiano, porém não usava nada que demonstrasse o time para que torcia. Não estava uniformizado. E, mesmo assim, aproximadamente 60 marginais de uma torcida organizada do Palmeiras o assassinaram. Agora eu vos pergunto, senhores: o Brasil é desse moleque? Até que ponto chegamos! Isso foi uma fatalidade? Ou assassinato? Quem matou o rapaz?
A televisão mostrou a mãe desconsolada, o pai paraplégico reclamando que agora não tem condições de viver porque era o filho que trabalhava para sustentá-los. O Brasil é o país desse pai, dessa mãe? Essa é apenas uma história que será esquecida com o passar dos meses, porém já já, no ano que vem começará novamente o grande espetáculo, futebol brasileiro. Jogadores famosos ganhando um mundo de dinheiro para correr atrás de uma bola 90 minutos, enquanto teremos mais mortes entre torcedores fanáticos.
Domingo, comemoraremos o dia das mães e o Fantástico nos apresentou uma reportagem com as mães do Rio. São mulheres que perderam seus filhos, na maioria jovens de 14 a 25 anos que morreram violentamente até por policiais militares na segunda maior cidade do Brasil, Rio de Janeiro. Em quem devemos confiar agora? Até a polícia está contra a sociedade trabalhadora. Como será o dia dessas mães no próximo domingo, hein?
Detalhe, os assassinos não estão na cadeia. É, acho que o Brasil agora é deles, concorda?
Bem, não sei se escrevi muito, porém não consigo escrever o que você já sabe. Espero que essas palavras cheguem até quem possa de alguma maneira tomar providências para acabar com o sofrimento dos brasileiros.
Lutaremos para fazer jus à frase do governo federal: "Brasil, um país de todos". Isso é, dos brasileiros. E não de quem quer roubá-lo.




Vida banal
Ricardo Lima Viana


Com os atuais números de homicídios praticados com armas de fogo, 88% dos casos, é estritamente necessário desarmar a população. Pessoas que porta, armas de fogo sentem-se poderosas e autoritárias.
Sem elas, desavenças poderiam ser resolvidas de forma mais civilizada. Caso haja um tipo de agressão, pelo menos há a possibilidade de defesa por parte do agredido. Já pensou se vira moda resolver conflitos na base da bala?
Além disso, acidentes com crianças brincando com armas acabarão. Balas perdidas diminuirão.
As pessoas que defendem e possuem o porte para auto-defesa reagem mais facilmente a assaltos. Muitos acabam baleados ao passo que poderiam ter saído ilesos.
Indivíduos que têm armas tornam a vida de seu semelhante algo descartável. Por isso, é preciso desarmar a população.
Como fazer isso? O projeto de lei que proíbe a compra de armas é um bom começo, mas nem de longe é a solução para acabar com tantas mortes ignorantes. Proibir a entrada de armas no país também é necessário, assim como realizar campanhas para o recolhimento das mesmas.
Claro que isso não é um processo rápido e fácil, mas tem que ser feito para que a vida não se torne algo banal.




Vô votá em quem vai ganhá
João Paulo de Souza


Era finalzinho de tarde, como de costume, fui ao Bar do Tonho tomá uns gorpinhos e jogá conversa fora. Por lá, encontri o compadre Ribeiro de prosa mais com o compadre Zeca. Tavam proseando sobre as eleição de prefeito que tava por vim.
Cumprimentei os dois:
-- Tarde, compadre Zeca! Tarde, compadre Ribeiro!
-- Tarde!
-- Tarde!
Então, me acheguei por roda e fiquei prestando atenção na prosa dos dois.
Compadre Zeca indagô a Compadre Ribeiro:
-- Pois homem! Política é que nem muié, cada um tem sua preferença. Mais, em quem é que o senhor vai votá?
Compadre Ribeiro respondeu:
-- Óia! Por certo que vô votá no Coroné Firmino. O homem é bom demais! O senhor acredita que o homem veio visitá eu mais a muié pra trazê uma cesta de comida e uns agrado pra criançada? E tudo isso do próprio dinheiro do homem. Ainda deu cinqüenta real só pra votá nele. Aí eu disse se não dava pra votá duas veiz, diacho!
O compadre Zeca, abismado, questionô:
-- Diabo! O compadre vai querê perdê o voto? Ora, como sempre é o Coroné Magalhães que vai ganhá. Como eu não quero perdê meu voto, vô votá em quem vai ganhá!




Na longa estrada da vida
Luiz Fernando de Medeiros


De repente surge um rapaz, homem na estrada de terra. Não dá para imaginar de onde surgiu, devido aos vastos campos verdes, tão longínquos...
Lá vem, calça suja de terra, camisa xadrez vermelha, carregando uma corda nos ombros, chapéu de couro na mão esquerda, enxugando no rosto com a mão esquerda o suor que insiste em cair.
Devia ser umas cinco horas da tarde, o sol forte do sertão já estava se retirando. Ouvia-se muito cigarras cantando, algazarra tamanha de doer os ouvidos. Mas vinha tão em câmera lenta que parecia o mundo parado.
Não sei até onde vai. A estrada é longa e dura.
Bem, enquanto o mundo gira, aqui o tempo parou. Não há noção de tempo neste lugar.
Sem imaginar, surge após esse caubói incontáveis multidões de bois, andando nessa estrada, a poeira subindo até não conseguirmos ver e contar a quantidade exata de animais na estrada.
Virando os olhos para o outro lado da estrada, deparando-se com um riacho de águas cristalinas, o caubói molha o rosto e continua seu caminho, sempre seguido pelos bois, atravessando assim o riacho.
Logo adiante, surge um vasto campo vermelho, terra boa, com um grande cercado. O caubói abre a porteira e os bois vão entrando, como se tivessem sido chamados pelo homem despreocupado com o tempo.
Depois dos bois terem entrado no vasto cercadão, o homem correu para uma bela casa e deitou-se numa rede, assistindo ao sol se pôr no horizonte.
Mais uma vez, o tempo parou para ele. Não há preocupação mais.
O mundo roda, as pessoas sofrem; o caubói, porém, agora dorme.




Não podemos desistir, temos que persistir
Andréia Pimenta


"Eu procuro mexer com o coração das pessoas"

Miguel Figueiredo Santana tem 41 anos, é poeta e porteiro. Casado e apaixonadíssimo pela esposa com a qual tem uma filha de quinze anos, diz ser romântico, sonhador e protetor.

Em São Paulo desde 1995, o baiano de Feira de Santana diz que a escolha da cidade não foi caso pensado. Explica que surgiu a oportunidade, e foi então que veio arriscar a vida na cidade grande. Miguel sofreu muito preconceito, mas não desanimou.

Há três anos trabalha como porteiro na USP e adora pois conhece muitas pessoas. A cada dia conquista novas amizades.

Encabulado, diz que o poeta existe há muito tempo e que escrever é uma satisfação: "poesia é momento". Nenhum poeta o inspira. A poesia acontece de acordo com o momento. Traduz em palavras, versos e linhas suas vivências, amores, medos, fragilidade e sonhos.

Analisa o passado, vive intensamente o presente e questiona o futuro. E foi uma paixão não correspondida que o fez escrever com maior desenvoltura. Sofreu muito imerso neste sentimento, que se resumia numa busca constante de respostas para suas aflições. Por este amor, por pouco não fez uma loucura. Antes disso, percebeu que este sentimento estava corroendo seu coração. Cansado de sofrer, desistiu; o que restou foram poemas e lembranças.

Sua inspiração vem deste sentimentalismo que aflora sua percepção de vida. Trabalhou também em um bar chamado "Balcão de Vidros" onde viveu dez anos inesquecíveis. Foi lá que teve maior contato com o meio artístico, começando pelo dono, jornalista. E foi no "Balcão de Vidros" que decidiu nunca mais parar de escrever. Encontrou apoio e leitores que além de aprovar solicitavam algumas poesias de determinados assuntos ou para determinadas pessoas. Miguel o fazia com prazer.

Dificuldades existem, mas para Miguel o importante é perseverar. Com estas poucas palavras estimula todos dizendo que jamais devemos desistir de um sonho: Temos que fazer deste sonho um objetivo.

Miguel Santana recita alguns de seus poemas. Todos ficam admirados e aplaudem. Envergonhado, porém orgulhoso de ter sido aceito, conclui com uma frase simples que no leva a reflexão: "As pessoas reparam muito o físico, a aparência, se preocupam com o exterior... Eu, não. Para mim, o que importa é conhecer o coração de cada um...".